| Entrevista com Isao Takahata |
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| Escrito por Edson Katana | ||||
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Takahata: para todo mundo, em geral. Eu desejo, apesar de tudo, deixar claro que Omohide Poro Poro, não é apropriado para os mais jovens. Vamos dizer que você poderia a assisti-lo se tivesse mais de dez anos. Seus filmes são extraídos de romances? Takahata: em geral, eu escolho produzir adaptações de obras literárias. Eu costumo trabalhar com obras estrangeiras, já nos tempos em que eu estava produzindo séries. Hotaru no Haka é a adaptação de um romance autobiográfico japonês escrito por Akiyuki Nosaka, mais um livro se tornou famoso apenas depois que o filme saiu. Com relação ao Omohide Poro Poro, apenas algumas partes da storyline vieram de um romance (que já tinha mais de dez anos). Você não acha que o Hotaru no Haka é muito triste para uma criança? Eu ainda não encontrei alguém que não fosse reduzido a lágrimas após ter visto. Takahata: eu acho que hoje dificilmente nós podemos ver uma morte natural. Por exemplo, pessoas geralmente morrem em hospitais hoje em dia. Eu chamo isso de morte científica. Tudo o que eu desejo encontrar, além da tristeza, é uma maneira mais direta de mostrar as coisas.
Takahata: provavelmente por que no Japão, adultos gostam muito de anime, especialmente desde Kaze no Tani no Nausicaa (Nausicaa no vale dos ventos), e eles sempre levam suas crianças para assistir-los nos fins de semana, dessa forma permitindo que as duas gerações se unam através do entretenimento. A média de público está entre 15 e 20, mas como eu disse, existe ainda mais adultos desde 1984. Sim, eu entendo bem o papel que o primeiro grande filme de Miyazaki representou para todos os públicos. De todos os trabalhos de Miyazaki, qual é aquele que os jovens japoneses mais gostam?
Takahata: eu acho que eu posso dizer positivamente aqui é Tonari no
Totoro (meu vizinho Totoro), um filme que toda criança no
Japão realmente ama.
Takahata: o nome da ilha veio das viagens de Gulliver, trabalho famoso de Jonathan Swift. Laputa é uma ilha que flutuava no ar e não queria receber a luz do sol porque era muito má, o que explica a conotação negativa de seu nome derivado da palavra puta (no sentido pejorativo da palavra mesmo!). Mas a storyline for modificada consideravelmente e agora não tem nada a ver com o Laputa original. Miyazaki e eu trabalhamos para fazer um filme de aventura real. Ainda, nos dias de hoje, não existe países não educados, porque eles todos conhecem os segredos do mundo. Nós decidimos não ser como Spielberg, e isto é: localizar os segredos do mundo além da terra, no universo. Nós queríamos fazer um filme em que a ação tomava lugar na terra, por causa que era nossa terra.
Eu também admiro enormemente a música de John Hisaishi. O trabalho dele é reconhecido fora do contexto dos filmes para os quais ele escreveu as trilhas sonoras. Takahata: sem dúvida, ele escreveu peças magníficas de música. Falando disso, eu era o i dos responsáveis por colocá-las nos filmes de longa-metragem. Antes de Nausicaa, ele compôs música minimalista, um tipo muito diferente de música.
Takahata: é música moderna, compostas com limitado número de som que são repetidos continuamente, de onde vem o nome. Eu gostaria de ter tido tal talento para compor as músicas para os meus filmes. Mas, no começo, todos filmes de estúdio Ghibli eram feitos tendo como vista o lucro. É muito difícil pagar tais animes caros em apenas um país. Takahata: isso foi apenas desde Majo no Takkyubin (serviço de entrega da Kiki) que nossas produções se tornaram lucrativas. Nenhuma de nossas produções anteriores se pagaram, apesar de sua grande popularidade. Ao menos, nós levamos em conta a venda dos produtos direitos. Assim podemos considerar que o balanço foi positivo. Com tal orçamento, você apesar de tudo nunca usou computador para fazer as animações, usou? Takahata: não, tudo foi feito manualmente. Na França, circula o boato de que poderia haver uma colaboração entre o sr Miyazaki e Jean Giraud (Moebius). Isso é verdade? Takahata: certamente os dois homens se respeitam mutuamente. Mais do presente momento, mas temos de excluir a hipótese de qualquer trabalho em como pôr uma simples razão: ambos têm personalidades muito fortes.
Takahata: eles me mostraram essa versão. É absolutamente horrível!
Eles fizeram uma enorme e aberrante censura. A eles cortaram as
partes de música de Hisaishi, para não falar dos diálogos
mudados. Foi um grande erro do estúdio Ghibli e nós
não tínhamos dado direitos de exibição
para países estrangeiros desde então. E nós
nunca daríamos os direitos de novo sem um atencioso exame
de antemão. dos direitos internacionais para Nausicaa dados
aos EUA acabarão dentro de dois ou três anos. Todos
esses filmes são baseados fortemente na cultura japonesa
e não são concebidos com os olhos para exportação.
Censurá-los é pior do que traí-los. E este
festival constitui na primeira exibição pública
num país estrangeiro e eu tenho de admitir que eu estou muito
surpreso pela reação do público. Qualquer forma
nos ainda estamos com muito medo de como nossos produtos serão
usados nos países estrangeiros. Takahata: (aqui, sr Takahata começa a falar em francês): eu... er.... concordo com o que vocês estão fazendo. No dia seguinte, como havia prometido, ele falou para todo o pessoal da revista (que estava lá nesse dia) e pra mim (nós tomamos café-da-manhã juntos), para explicar algumas das razões de sua inspiração, fundamentalmente baseada na cultura japonesa. Takahata: Aqui. Este livro contém a reprodução de um pergaminho japonês do século 20. (ele nos mostrou um livro que contém a representação de um pergaminho japonês, que deve ser a representação de um pergaminho muito mais antigo. Então, se ele fosse rasgado e colocado lado a lado, nós teríamos um pergaminho inteiramente linear). O original é feito com dois tubos em volta dos quais são afixados o pergaminho enrolado. Então, os dois tubos devem ser enrolados pelas mãos simultaneamente, fazendo com que as cenas passem. Assim, nós temos o primeiro desenho animado japonês da história. Por outro lado, o cenário é explicado em ideogramas, em passagens peculiares. Então o enredo toma seu lugar: um incendiário que eventualmente é encontrado e punido pelo Imperador. Efeitos estilísticos são abundantes: intercalações na direção de leitura com a direção oposta, a presença do mesmo personagem várias vezes na mesma cena para mostrar seu movimento, a caracterização dos rostos dos personagens, toda a expressão de diferentes emoções (para estes, o trabalho é focalizado somente nas manipulações dos efeitos de luz e de sombra, os quais são muito elaborados)... é muito difícil de explicar tudo, desde que tinha de mostrar a você esses documentos para explicar seu significado plástico... de uma maneira mais metódica, enquanto revela um lado pedagógico, tanto que foi tomado um cuidado de descrever cada cena e cada detalhe do qual ele se referiu depois, ele nos mantém virando as páginas, nos ajudando a descobrir o documento. Seu propósito ostensivo nos faz entender que estilo usado hoje em dia na indústria de animação não traz de volta a descoberta de Walt Disney, mas ainda mais longe no tempo. Nesse documento, nós reconhecemos as linhas dos contornos nos quais nós fazemos os personagens, planos cinematográficos e a idéia de movimentos virtuais, graças apenas à direção de leitura.
A
base de tal trabalho tem de ser entendida. São apenas mera
cenas da vida cotidiana, expressas em detalhes singelos. Essa é
uma parte integral da cultura japonesa, é uma tradução
muito antiga. Além do mais, note como são muito expressivas
as características de cada rosto. Você verá,
que quando eu procuro produzir aqueles filmes de longa-metragem,
não existe nenhum pensamento de que os personagens escolhidos
poderiam ser feitos como um anime. Está errado. A cultura,
aquela que vem de nossa cultura, explica a maior parte de todas
as coisas que nós podemos encontrar no anime nos dias de
hoje. E tente se lembrar de uma coisa, que é o que realmente
conta na maioria das vezes : isso não é real, nem
mesmo a relação com o real! É apenas a linha
e a maneira de desenhar. |
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