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Entrevista com Hayao Miyazaki Imprimir E-mail
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Escrito por Edson Katana   
Entrevista dada por Hayao Miyazaki à revista French Vogue em 2002

Chihiro é uma pequena menina viajando para um mundo de deuses. Sua missão? Encontrar seus pais que foram transformados em porcos como punição à sua gula. Chihiro é também a personagem virtual mais popular no Japão: 17 milhões de espectadores. Antes da estréia, em 16 de Janeiro de 2002, nós entrevistamos Hayao Miyazaki, o criador de Chihiro, que também foi o diretor de Mononoke Hime, além de outros desenhos clássicos. Ele é adorado no Japão como uma estrela de cinema e seu mundo visionário já virou até museu.

 

Preferido de Miyazaki: o clássico "Ladrão de Bicicleta" de Vittorio De SicaVogue: Quando criança, você sempre sonhou em fazer filmes?

Miyazaki: Eu não era o tipo de criança rebelde contra as leis que fala que tem que trabalhar duro para se alcançar aquilo que quer. Eu fui criado nesses moldes, mas eu queria era desenhar. Meu pai era apaixonado com cinema. Ele sempre me levava para ver filmes, desde pequeno. Eu me lembro dos filmes de Ozu, do "Ladrão de Bicicleta" de Vittorio De Sica... Eu me lembro melhor desses do que de filmes de faroeste ou de ação.

Não se lembra dos filmes de Disney?

Miyazaki: Eles me divertiam, mas não me faziam sentir nada. Eu preferia muito mais "La Bergere et le Ramoneur" (A pastora e o caminho das ovelhas), um filme francês de 1953 refilmado em 1980 pelo francês Paul Grimault com o nome de "Le Roi et l'Oiseau". Ou o filme de 1947 "O pequeno cavalo corcunda" do russo Ivan Ivanov. Logo após a guerra, esses filmes marcaram uma nova geração de futuros animadores. Filmes de animação são filmes por si sós. Atualmente, o uso da animação nas filmagens tradicionais está crescendo. Eu fujo dessa realidade. Animação é o meu único modo de expressão.

Alguma vez você já se colocou no lugar dos espectadores?

Hayao e seus "filhos"Miyazaki: Você está sentado no escuro, você não está tentando sair da sala de cinema. Se você acha que o filme está ruim, você é permitido a dizer isso. Assim é como as críticas são construídas. E não posso decidir como meu filme será interpretado. Eu me lembro de um espectador, no final da exibição, que me confidenciou que sentia que: "ainda estava com faminto, mesmo depois de ter devorado um banquete". Eu tento não deixar me impressionar pelo "Spirited Away". Se alguns filmes se saem muito bem comercialmente, outros são ignorados pelo público a despeito de sua qualidade. Eu já passei por isso.

Por exemplo?

Miyazaki: Em 1968, havia este filme: "Taiyo no oji: Horusu no daiboken" (Príncipe do Sol: A grande aventura de Hórus). Eu não tinha nem 20 anos ainda e havia trabalhado nele com um tipo de paixão, convencido de que poderia transformar a maneira das pessoas verem a vida. As vendas foram um desastre. Então, em 1973 foi a vez de: "Panda! Go Panda!" Para mim, aquele foi um momento crucial: foi a primeira vez que eu confrontei meu filhos no mundo do cinema. O mais novo tinha três anos e o mais velho, cinco. Eu tremi de ver como eles estavam compenetrados no filme. Isao Takahata era o produtor e eu estava em débito para com o grupo. Esse foi o primeiro "filme para crianças".

Você sempre se aproximou para esse gênero?

Miyazaki: Quando meus filhos ficaram velhos o suficiente para ir ao cinema, não havia mais nada para se ver. Nem como pais ou nem como amantes do cinema; foi por isso que eu comecei. Esse filme (Panda! Go Panda!) não tinha pretensão educativa. Foi apenas escrito para descrever a vida cotidiana e aquela ternura que nos lembra que a vida pode ser bela e luminosa. Eles assistiram isso sem se moverem. Eu fiquei tão feliz com isso que minha intuição foi confirmada pelos meu dois filhos. Mas o filme não foi um sucesso naquele tempo, ainda.

Hayao KaonashiDepois do sucesso de Spirited Away, você tem mais projetos em mente?

Miyazaki: Eu estou preparando um novo filme. Ele será lançado em 2004. Um dia desses eu estava em um debate com jovens que tipo de filme eles queriam ver. Será que nós podemos prever o que as crianças irão querer assistir em 2004? O que será valido até lá? Poderemos imaginar isso? Eu acho apenas que devemos criar filmes para que as pessoas fiquem felizes.

 

 
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