Entrevistas
A perspectiva feminina de Takada Akemi sobre os animes | A perspectiva feminina de Takada Akemi sobre os animes |
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| Escrito por Edson Katana | ||||
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famosa designer de personagens Takada Akemi, que desenvolveu
uma quantidade considerável de personagens dinâmicos
para séries como "Creamy Mami", "Kimagure
Orange Road" e "Patlabor", coloca sua essência
em seu trabalho. Ela disse, em uma entrevista para a Retrospectiva
de Comemoração do Aniversário de 20 Anos
do Estúdio Pierrot, que "A maioria dos meus trabalhos
eu criei com amor".
Brilhando com um romantismo calmo e uma fascinação pelo mundo e pelas pessoas que passavam por ela, a Sra. Takada se sentou conosco em uma mesa ao lado do lago do pátio, decorado com estátuas de personagens Disney em tamanho natural em uma preguiçosa manhã de domingo. Akadot: Quais elementos de seus designs são ocidentais e quais são tradicionalmente japoneses? Takada: Os animes em geral não são muito europeus ou ocidentais ou qualquer outra coisa, é como se não possuíssem uma nacionalidade. A interação entre as pessoas é bem japonesa. Os personagens são bem japoneses. Akadot: No teatro tradicional japonês as pessoas possuem papéis específicos. Como esses papéis representam a sociedade japonesa atual e os animes? Em termos de cultura japonesa contemporânea ou em termos da perspectiva história do modo como os japoneses se comportam em contraste com os ocidentais. Takada: Está mais para a dinâmica entre pais e filhos ou entre amantes que para conceitos culturais. As emoções da relação pais-filhos ou entre amantes são bem japonesas. Nos animes, a interação entre as pessoas é bem japonesa. Os personagens são bem japoneses. Akadot: Quanto disso é expresso nos próprios designs de personagens? Takada: Para a relação entre as pessoas, pela maneira como se comportam, depende da história original. Em "Kimagure Orange Road" há um triângulo amoroso, portanto, a história lida com romance. Já "Creamy Mami" fala mais sobre a família e o que eles sentem um pelo outro. Também há referências sobre o palco que é uma relação onde não há amor de verdade. Akadot: Em termos técnicos, quais qualidades específicas formam bons personagens? Quais aspectos técnicos poderiam distinguir um bom design de personagem de um mau design? Takada: Hmm, se eu dissesse especificamente que um certo tipo é ruim, e outros designers de personagens lessem isso, poderia não ser muito bom... (risadas). Existe todo tipo de gente em animes, mas por alguma razão todas as garotas são parecidas. Coisas como essa não são muito boas.
Takada: Uma arte que faça você se sentir relaxado. Akadot: Você caracterizaria seu estilo como "relaxado"? Takada: Eu gostaria que ele fosse assim! Akadot: Eu percebo isso no seu trabalho. Ele me faz sentir muito sereno. Entretanto, há uma imagem em específico na sua exibição aqui na Anime Expo que me deixou intrigado. É um desenho da personagem "Madoka" de "Kimagure Orange Road". Ela olha direto para quem a vê, com os braços cruzados, um batom pendendo em sua mão, defronte a um espelho onde ela acabara de escrever "sayonara". Em mim, ela evoca uma sensação de violência. Há algum elemento violento em sua arte em geral? Takada: Existem momentos em que não podemos perdoar homens fracos. É claro, há momentos em que podemos perdoá-los... por serem fracos. Akadot: E você volta ao estado de serenidade. Até onde suas personagens femininas ganharam força nos últimos vinte anos? Mesmo sendo elas caracterizadas como frágeis, como a personagem feminina tornou-se mais forte? Takada: Bem, a sociedade também mudou durante este tempo, portanto, agora existem diferentes tipos de mulheres. O que eu acredito ser importante, no entanto, é nossa habilidade de determinar o que queremos para nós mesmos. Eu quero ser capaz de desenhar mulheres que sabem o que querem, o que querem alcançar... Possuir esse tipo de sentimento. A Madoka escreveu "sayonara" porque ela não podia perdoá-lo. Akadot: Na verdade, isso se encaixa no assunto que estamos tratando. Madoka sabe exatamente o que ela quer naquela pintura. Takada: (risos) Nessa entrevista, os tópicos são bem profundos, mas a atmosfera é bem informal. Akadot: É mesmo, é difícil explorar a arte profundamente estando cercado por personagens Disney. Deixe-me encaixar algo aqui - se você diz que o comportamento é praticamente um ponto focal para os animes, personagens Disney, em comparação, raramente ressoam com qualquer emoção que não seja simplesmente um "estou feliz" ou "estou triste". Takada: É isso que distuingue a animação japonesa - uma qualidade que ela sempre teve - uma qualidade tradicional.
Takada: As personagens não são definidas por seu formato, são suas qualidades interiores que moldam seu caráter. A arte do design de personagem é como a criação de um contâiner para sua alma. Akadot: Então, até que ponto você tem consciência de quão grandes são os seios que você desenha ou esse tamanho vem naturalmente? Takada: Eu penso muito nisso, com certeza. E não é apenas pelo tamanho, que é uma mentalidade masculina. Há também o formato que deve ser levado em consideração. Isso também faz parte do design da personagem. Akadot: Você já notou que os homens que se tornam designers de personagens parecem ter uma sensibilidade menor para o assunto que as mulheres? Takada: Quando os homens desenham figuras, eles as fazem com os seios do tamanho que preferem, portanto, todas são mais ou menos parecidas, o que faz o design da personagem um tanto entediante. Akadot: Quando você desenha figuras masculinas, você sente a necessidade de expressar suas preferências? Desenhar o ideal? Takada: Eu tenho uma certa preferência, mas eu não acho que isso seja suficiente para o design de personagens, portanto eu acumulo outros tipos de designs que me refletem o que me agrada. Em meu coração, eu gosto de diferentes tipos de homens. Para personagens femininas, vem de mim o que eu desenho, mas para personagens masculinos, são minhas preferências combinadas com uma parte de mim mesma. Akadot: Você já baseou algum de seus personagens masculinos em relacionamentos que teve no passado?
Takada: Isso é segredo! |
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