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Ano: 1988
Direção: Isao
Takahata
Roteiro Original: Akiyuki
Nosaka
Produção: Ghibli Studio / Toru Hare
Edição:
Takeshi Seyama
Sinopse:
Japão,
Segunda Guerra Mundial. A guerra assola o país e
quem sofre como sempre é o povo. No meio dos bombardeios
americanos a população tenta inutilmente se
abrigar dos mísseis que caem a todo momento do céu.
Entre todo este caos, abre-se um pequeno fragmento do tempo
para acompanharmos a história de Seita e de sua pequenina
irmã Setsuko.
A
vida então se revela ao mesmo tempo linda e frágil.
Porque os vagalumes morrem?...
Comentário:
Baseado
na obra semi-autobiográfica homônima de Akiyuki
Nosaka (obra esta que só veio a ficar conhecida
depois do lançamento do anime), Hotaru no Haka (Túmulo
dos Vagalumes) é sem dúvida nenhuma, uma das maiores
obras-primas da animação japonesa de todos os
tempos. Realizado pelo sensacional Estúdio Ghibli, fundado
por ninguém mais ninguém menos que Hayao Miyasaki
e seu amigo Isao Takahata, que foram também os criadores
e realizadores de outras grandes obras como Tonari no Totoro,
Tenkuu no Shiro Laputa, Kurenai no Buta (Porco Rosso), Kaze
no Tani no Naüsicaa e mais recentemente Mononoke
Hime, Hotaru no Haka não foge à regra destas
outras maravilhas da animação.
Cenários
soberbamente desenhados na mais realística aquarela,
fazem qualquer um pensar que se trata de uma fotografia! Animação
perfeitamente fluida e música que sempre se encaixa nos
momentos mais propícios dando o clima perfeito, sem nem
mesmo ser notada. E acima de tudo o enredo que é uma
das marcas registradas do Estúdio Ghibli. A edição
tem a marca registrada de Takeshi Seyama, já consagrado
por outros trabalhos de edição, como Akira.
Enredo
este que está sempre buscando mostrar a pura inocência
das crianças em detrimento à "maldade"
dos adultos e a integração ou reintegração
do homem com a natureza. É como diz o próprio
Hayao Miyasaki (amigo e sócio de Isao
Takahata no Estúdio Ghibli): "Nós
não estamos tentando resolver os problemas globais. Não
pode existir um final feliz numa luta entre os humanos e os
deuses furiosos. Entretanto, até no meio do ódio
e matança, há coisas por que vale a pena viver.
Um encontro maravilhoso, ou uma coisa bela podem existir".
Também não falta a grande paixão de Miyazaki:
os aviões. Quando era criança, o pai era dono
de um hangar com diversos aviões e a paixão foi
passada rapidamente de pai para filho.
Este
é um anime que possui aspectos semiológicos muito
fortes e marcantes. Estão sutilmente implícitos
em certas cenas. Por exemplo: na cena onde Seita e Setsuko estão
deitados, observando os vagalumes à noite, Seita começa
a imaginar o porta-aviões de seu pai e a se ver no meio
da guerra, defendendo o país. Isto mostra que o garoto,
passando pela adolescência, está confuso, pois
quer ser um adulto para poder ir à guerra e defender
sua irmã, mas ao mesmo tempo se vê julgado como
uma criança. Quando ele tenta abraçar Setsuko
à noite, vemos novamente a vontade de ser adulto, de
ter uma namorada, uma companheira, que é espelhada na
imagem da irmã mais nova. Por outro lado, Setsuko, apesar
de ser tão pequena, representa em certos momentos esse
papel de "esposa" de Seita, sempre se preocupando
com ele e sempre querendo cuidar dele da forma que ela pode.
Prestem atenção ao anime, que vocês certamente
irão reconhecer facilmente esses momentos. Não
posso contar demais senão estraga... hehehe
Hotaru
no Haka é um anime que proporciona fortes emoções.
Não é um anime alegre, é um anime real
ao extremo, de levar literalmente às lágrimas
e que mostra que em uma guerra não existem vencedores,
apenas derrotados. É um anime verdadeiro, pois o enredo
é baseado em uma história real, o que o deixa
ainda mais verossímil. Hotaru no Haka joga no lixo todas
as máscaras da sociedade japonesa e de todas as outras
também. Porque o ser humano possui uma essência
que é própria dele, independente da cultura, país,
raça ou religião ao qual pertença e isso
é uma coisa que não mudará tão cedo
(queria eu estar errado...). Em Hotaru no Haka, somos obrigados
a encarar de frente o quão frágil e curta é
a vida e que sempre estamos tão ocupados olhando pra
nossos próprios umbigos que esquecemos que a vida está
aí pra ser aproveitada a cada precioso segundo, porque
no fim das contas voltaremos todos a onde tudo começou...
Pra
quem acha que anime é coisa de criança, sugiro
que assistam a Hotaru no Haka. Não o recomendo a crianças
menores que podem ficar impressionadas, mas este é sem
dúvida um filme que meus filhos verão quando tiverem
idade para pensar sobre a mensagem que o filme passa e acho
que é um filme que deveria ser adotado por muitos professores
para formar uma discussão construtiva sobre esta mensagem
e sobre como é a vida de cada um com relação
aos outros e com relação a eles mesmos. Quem acha
que anime se restringe a Pokemon ou Dragon Ball, não
sabem que perto de obras de Hotaru no Haka, esses desenhos não
passam de puro entretenimento fútil, sem valor, colocados
apenas na grade de programação para acirrar ainda
mais as brigas pelo lucro da audiência.
Hotaru
no Haka é acima de qualquer outra coisa, uma lição
de vida em forma de arte!
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